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Cala a Boca, Monstro

Apesar das evidências e dos incontáveis vídeos/documentários comprovando os fatos, ainda tem quem defende essa anomalia chamada de foie gras. E pior: tem também quem abraça as invencionices dos que lucram com a tortura. Prova disso é que em 14/07/2015 o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu a lei que proibiria a produção e comercialização do produto. Aceitaram os argumentos arcaicos e fantasiosos dos produtores, donos de restaurantes e chefes de cozinha que defendem a teoria de que "se os outros animais também sofrem, não podemos proibir a tortura dos patos, gansos e marrecos".     (Atualização - 07/11/15).

Para Pierre Reichart, francês erradicado no Brasil e produtor de foie gras há 13 anos (em Cabreúva/SP), o foie gras "é parte da nossa cultura" e "nenhum político pode decidir o que vamos comer.” ...
Essas aves passam os últimos dias de vida sendo alimentadas à força, dia e noite, com um tubo gigante sendo enfiado com violência na garganta, e o senhor Pierre ainda vem falar que político não pode decidir o que vamos COMER...

Não deveríamos mesmo precisar de políticos para decidir QUEM vamos comer; mas muito menos deveria ser preciso - é de alguém para autorizar ou não a TORTURA desses seres ou a comercialização do produto dessa tortura.



Essa história de que "é cultural" e "prática milenar" são as justificativas mais usadas, além de serem também das mais fracas. Afinal, de acordo com essa lógica e assim como já dizia o grande escritor Isaac Bashevis Singer, não deveríamos impedir estupros, assassinatos, visto que também são práticas milenares.

Há pouco mais de 120 anos, a escravidão ainda era CULTURAL, além de também ser prática milenar, sr.
Pierre Reichart...

Outro argumento que tentam nos "enfiar goela abaixo" é aquele de que na natureza esses animais também comem muito, para  protegerem-se do inverno, e que "a única coisa que os produtores fazem é ativar essa função que já é natural nos patos"...

Então, senhores produtores, por que não mostram UM ÚNICO pato, na natureza, que tenha seu fígado aumentado em dez ou doze vezes, como nos patos que os senhores torturam? Ou que seja só a metade disso!! ...
Os patos comem mais que o normal, SIM, para protegerem-se do inverno e terem reservas para a migração; e os figados desses patos engordam sim, mas NADA comparado a esse fígado gigante e doente. E a quantidade que os patos comem, NA NATUREZA, também não é nem de longe parecida com essa que os senhores enfiam à força - até o pobre animal não conseguir mais nem respirar direito.

Esses prudutores ainda tem a cara de pau de dizer que "quando a alimentação forçada é feita de forma adequada, COM O FUNIL (sem a pressão usada com as máquinas), não há crueldade"... Então, senhor Pierre: deixa a gente enfiar esse mesmo funil na SUA garganta e SEM anestesia, e depois diz se não houve crueldade, 'tá? ... Em um exame de endoscopia, para recebermos na garganta uma mangueirinha fininha, além de FLEXÍVEL (bem diferente do tubo muito grosso e de metal, usado nos patos), precisamos de preparo psicológico, relaxamento com sedativo na veia e anestésico na garganta, e mesmo assim muita gente ainda passa mal com esse exame. E o senhor vem dizer que enfiar à força um tubo daquela grossura - em uma garganta que é muito mais estreita que a nossa - NÃO é crueldade?!!

Pra piorar, esse senhor ainda teve a coragem de dizer que "na primeira vez o pato se assusta, mas depois fica com a boca aberta pedindo comida"...  PEDINDO COMIDA!!!!!!!!! ...
"A boca" do pato fica aberta - porque ele está tentando RESPIRAR e COM MUITA DIFICULDADE, ô seu Pierre no país das maravilhas.
Mas já que os patos do senhor "abrem a boca de fome" quando veem o tubo que é quase tão grosso quanto o pescoço deles, por que o senhor nunca filmou isso??!!! com um vídeo assim o senhor já aproveitaria para calar "o bico" de um monte de defensores dos animais, ao constatarem a cara DE PRAZER dos seus patos esperando o funil gigante ser enfiado de novo em suas gargantas que vivem inflamadas pelos constantes traumas...

Engrossando o coro dos defensores da barbárie, temos também Erick Jacquin, consagrado "chef" do La Brasserie... e assim como os outros, esse também repete os mesmos absurdos para justificar a tortura. Olha só o que ele diz na matéria do site Carta Capital: "Mas é uma hipocrisia. As vacas e os frangos confinados não sofrem? Por que proibir só o foie gras? Só um idiota vê diferença entre sofrimentos.”...

Entre as opções de levar um tapa na cara ou martelada no joelho, será que o sr. Erick Jacquin diria "tanto faz", já que para ele "todos os sofrimentos são iguais? ...

Em outra matéria tendensiosa, na revista Paladar (do Estadão), outro "chef" que veio da França (o senhor Julien Mercier) também defende a tortura dos patos e chama de ARTESÃO o seu fornecedor do produto. Para ele, esse produtor é diferenciado porque além de empregar dez pessoas, também estudou na França para executar da melhor forma possível o método de gavagem (alimentação forçada)... E o sr. Julien também declarou: "não se trata de crueldade, mas de uma técnica;  e outro detalhe que poucos sabem é que os maus-tratos registrados em imagens ocorrem, em sua maioria, em indústrias de países do Leste Europeu. Ou seja, não é uma realidade do Brasil, que abriga hoje apenas três produtores artesanais* de foie gras"...

Grande porcaria a criatura ter estudado na França, sr. Julien... TÉCNICAS também existem para estuprar, esquartejar, assaltar, sequestrar, e se isso foi aprendido no Brasil ou França - é o de menos!! O senhor falou outra grande besteira ao afirmar que no Brasil só existem três produtores ARTESANAIS. Em 2012, um ano antes dessas suas declarações, só a empresa Villa Germânia em Santa Catarina já sacrificava perto de 200 mil patos por mês, produzindo uma tonelada de foie gras no mesmo período. Mas mesmo que existissem só três produtores "artesanais", seria um motivo a mais para proibir... ou o estupro deveria também ser liberado, se existissem apenas três "tarados artesanais"? ...

Só quem defende esse crime são os poucos que lucram com isso, além de uma minoria de "paladares refinados"... e os argumentos são sempre ridículos, como esse de que "no Brasil os patos não sofrem". E no final das contas "não pode ser proibido porque é cultural, é prática milenar, gera empregos e É UMA DELÍCIA"?! Vamos acordar, por favor?!! Como já foi dito, ESTUPRO também é prática milenar, TRÁFICO DE DROGAS gera MUITÍSSIMO mais empregos que esse pesadelo e, por falar em pesadelo, se alguém degolasse e fatiasse A MÃE da gente, e temperasse a carne dela direitinho, a gente também poderia achar UMA DELÍCIA, se comesse sem saber de onde veio o "cadáver do dia".

Por Samuel Zechetti da Costa, publicado em 07 de setembro de 2014.





*Entre outros motivos, chamam de "artesanal" porque usam "só" cinco mil patos (como no caso do produtor Pierre Reichart), enquanto no sistema industrial são duzentos mil por mês.  Saiba mais sobre "foie gras artesanal" no vídeo abaixo.


 
 
 
 
 
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